Passadas as eleições é hora de partirmos para a análise dos fatos: fiquei me perguntando neste tempo todo sobre as denúncias feitas neste ano. Só de ver a capa do site Deu no Jornal( www.deunojornal.org.br) vê-se as seguintes chamadas: Fichas sujas superam os 700 mil votos em SP; Fichas sujas punidos na urna; Na sombra do marido( Caso Roriz); Dourados deve poupar 4 mi já em outubro, diz interventor; Filho de Dirceu e outros 48 são detidos; Deputados sob suspeita.
Ao ler estas notícias, nada mais parece ser espantoso. Tudo parece ser tão cotidiano e vai ficando assim. Vamos sendo sedados lenta e gradualmente pela barbárie que vai se avolumando ao nosso em torno e vamos começando a achar que é assim mesmo. Pior do que achar que é assim mesmo, é que alguns vão começando a reproduzir tal comportamento.
Eu penso ser enganoso o fato de que o candidato Tiririca tenha sido eleito por votos de protesto contra a atual situação. Ao meu ver, o fato do palhaço ter se eleito é a mais contundente prova que que começamos a reproduzir um modelo em que qualquer um pode se dar bem. Vejam, não é a mesma coisa que votar pra protestar. Tiririca parece ser fruto de uma orquestração para eleger alguns deputados, pois este foi o efeito imediato da sua vitória nas urnas, não creio que tenha sido um voto de protesto, mas sim um voto de simpática ignorância desse povo que se identifica com o absurdo, com o inaudito, com o esculacho. Foi um voto em que a população docemente se identificou com o Palhaço... Portanto, não foi protesto, foi identificação legitima com o candidato.
Se alguém quiser dizer ainda que o nosso eleitor foi protestar nas urnas, bem, primeiro precisamos saber qual o perfil deste eleitor. O de Marina Silva, por exemplo, entendemos que foram jovens, em sua maioria e que fizeram a diferença ao buscarem uma alternativa plausível ao absurdo eleitoreiro da Dilma edo Serra. Mas e o eleitor de Tiririca? O site www.ricardomoraleida.com afirma que "o eleitor do Tiririca se divide em duas partes: uma parte grande de gente pobre, semi-analfabeta, que se identifica com a origem e com o sucesso do palhaço, que acha que de alguma forma ele representa a população pobre melhor do que um candidato engravatado. E uma parte eu acho que posso atribuir à classe média que tem horror à política, aquela que vota “for the lulz” ou dá o seu “voto de protesto” e depois xinga o sistema do Voto Proporcional que coloca candidatos do PRONA no Congresso Nacional."( o post foi publicado dia 07 de setembro de 2007). O blog de Ronir Rafael ( http://ronirafael.wordpress.com/) coloca-nos o problema da "burrice" do eleitorado, diria eu... ignorância mesmo. Há várias explicações para a eleição de Tiririca, se a resposta de seu eleitor para ter votado no palhaço é "porque ele é engraçado", tá valendo! Por um lado alguns sites colocam Tiririca quase como um Lula surreal: pobre, semi ou totalmente analfabeto em um país que elege a democracia como forma de possibilitar a todos subir ao poder, mesmo os despreparados; por outro, Tiririca é um fruto dos desvios e desatinos da nossa política malandra, das propinas e da impunidade. O povo acaba votando por obrigação mesmo. Tem que votar! Talvez o perfil do eleitor do Tiririca seja esse mesmo: vota por ser obrigado, por isso vota em qualquer um que seja legal... Em um país em que a cidadania é algo ainda distante e que fica somente no papel, quantos outros palhaços não foram eleitos... só que os outros, são menos engraçados!!!
5 comentários:
Muito bom o artigo.
Aquele papinho"Mude o Brasil com seu voto" "vamos renovar o congresso", nas urnas vc melhorará o nosso país" "acredite na democracia!" pra mim, não há piada mais séria.., hj é palhaço se elegendo e levando 5 picaretas consigo ... Evidencia assim, o qto o nosso comportamento pode chegar a tais proporçoes. Por que que todos sabem (ou deveriam saber) daquele velho xavão de que temos o governo que merecemos e ainda continuamos na mesma palhaçada? Por que ousamos pensar em voto, democracia ou qquer outra parafernália destas se não conseguimos praticar, dentre várias coisas extraídas do mundo dos ursinhos carinhosos": respeito, educação, perdão, altruismo, gratidão, organização, economia, limpeza e etc? Parece até discurso moralista religioso..Veja, é o mesmo que acontece com a política, religião, filosofia, direito, a sociedade em geral e tuas criações... a grande maioria distancia-se da espiritualidade da coisa. Não vejo a espiritualidade de "gasparzinhos" e estas coisas transcedentais srsr.. e sim da capacidade de cada individuo ser, em seu movimento, organizado, tranquilão, determinado, "ponta-firme", que aguenta pressão, dinâmico, eficiente e etc.. Não é esse perfil psicológico que as empresas atualmente preferem? Hj grandes e boas cias chegam a dispensar conhecimento técnico e absorvem aquele "ponta-firme". O Estado é uma empresa, a sociedade pq não? Democracia, voto, religião, transcedentalismo rsrs possivelmente a massa nunca saberá lidar.. e é o que é, divisões, Ah! é Dilma ou Serra? Jesus ou Buda? sistemas jurídicos pipoquentos, sistema educacional mercantil, estupidez... até q um dia teu filho toma um tiro, vc é atropelado, vc mofa sem aposentadoria, alguem esquisito aí é eleito.. e sempre há um comportamento pipoquento e ingrato por parte das pessoas.. E o Brasil, o mundo.. vai pra frente.. até uma hora ir tudo pra casa do canário!
Gostei deste blog rapá! Dá pra ter altas brainstorm e fazer com que as pessoas vejam" haha
Abraço a todos
Valeu, Yuri... infelizmente estamos o nos deparando o tempo todo com esses fatos que demonstram o absurdo em que vivemos... e ninguém vai além da indignação! Além de nos revoltarmos precisamos também agir. Para agir, precisamos tomar consciência de quem somos e assumir nosso pensamento. Uma boa parte da classe média apoiou tanto a Marina Silva quanto o Serra para presidente. Longe de qualquer tipo de militância, a classe média é a que, de longe também, sempre foi a que mais sofreu com os planos econômicos e com as políticas nacionais. Quem é pobre não sente nada e os ricos pouco se lixam. Portanto, está na hora da classe média começar a agir. Parar de se revoltar no papel e começar a impulsionar a massa em direção a justiça e a igualdade de direitos. Temos que começar a agir, a falar, a atuar nesta sociedade em que os políticos só se interessam por sua fatia no bolo da fatura nacional. Vamos começar a agir!!!
Peço desculpas, acho que comentei de modo que parecesse um texto de indignação como qualquer outro comum. Pois, indignar-se, é entendido de maneira geral como um reflexo de cada um sobre quaisquer situação, e esta visão se promove num campo pequeno, e não muito interessante. O histórico social é marcado por uma cultura de revoltas e reviravoltas. Revoltamos e elegemos, revoltamos e mudamos, e as ideias ficam difíceis de serem administradas, o diálogo some, e os ataques e as divisões começam. Podemos eleger qualquer um, e sempre somos traídos. Não digo que a indignação não funciona, pois funciona, e muito bem. Más o que se faz pra passar pra outro plano? Mexer com coisa nova, mais interessante? Sobre o "agir". Éra esse meu objetivo deste comentário e do comentário anterior. Uma pessoa pode trabalhar reclamando a vida inteira. Será q é pelo motivo da falta de gratidão àquilo que a afeta? As pessoas não possuem uma postura adequada ao agir. O ideal seria, primeiramente, possuírem o sentimento de "perdão". Pra q um dia assim possam ter a "moral" para ter a "gratidão" das coisas. Enfim, poderiam passar pra outro nível, o de poder contribuir com as coisas, sendo mais organizados, pontuais, as pessoas enxergarão e se espantarão com a vibração da vida, com a luz dos filósofos, dos padres, dos mestres, de suas liturgias e o caramba a quatro. Por isso que há repulsa, gostam de dormir, não saem de suas casas pra enxergar o que há fora, só observam pela perspectiva quadrada de suas janelas. Não perderíamos o ônibus, terminaríamos a tempo nossas obrigações, economizaríamos energia (sob vários aspectos), não permitiríamos que obras públicas passassem da conta $$ e do tempo para serem concluídas. Seriamos bons em tudo, de picolezeiro a ministro. Em todas as classes, pois fluirá algo em cada um, não só naquela ou noutra. Seria ao meu ver, um agir especial. Haveria uma mudança cultural, o que é engraçado ficará sério e o sério engraçado, mudaria o senso do ridículo, os valores, o respeito ... Talvez poderíamos assim preparar o terreno pra que grandes idéias criadas possam ter vida. As idéias são "ideais", já pensou se pudéssemos organizar a vida dentro destes ideais com certa harmonia? A classe média chega com mais facilidade ao conhecimento. Más tornar este conhecimento produtivo e não perverso em sua conduta é outra coisa. É como dar dinheiro pro filhinho buscar pães. Ele terá educação, respeito e confiança em trazer o que for pedido e ainda merecer um agrado do troco? Tudo isso é diferente da confiança que depositamos nas pessoas e em nossos representantes?
Outro assunto é o "acreditar", um plano também pequeno comparado a imensidão das coisas.. - Acredita em Deus? Acredita nisso ou naquilo? Bem.. não é uma perda de tempo? a repulsa dada pela indignação também não é uma perda de energia?
Como teremos pessoas especiais, como já existiram e existem, más agora em uma boa quantidade?
O brasil é o lugar das palhaçadas mesmo,o tirica ta no lugar certo,junto com romario e outros quebrados na vida q nao tem mas como se levantar.A não ser: ser político.
Pobre nação,q não ve os verdaeiros enteresses desses larapios,morrendo diariamente na fila do SUS,morando cada vez mais perto de Deus,com suas casas lá no alto dos mais altos dos morros!
Pra frente Brasil...!
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